No dia 18/12/2005 partimos de Brasília em direção ao sul da América. Até o dia 28/01/2006 pretendemos percorrer alguns milhares de quilômetros e, se o Ermitão estiver de acordo, chegar à cidade do Ushuaia, lá na pontinha da nossa América. O objetivo deste Blog é uma espécie de Diário de Bordo da nossa expedição. Bem-vindos a bordo do Ermitão e Boa Viagem!

Monday, March 13, 2006

Expectativa por la ruptura del glaciar Perito Moreno

Está acontecendo! Ou...aconteceu hoje, não sei ao certo.

A notícia está nos jornais e as imagens na TV: exatamente 2 anos depois acontece a esperada ruptura do único glaciar em constante avanço no mundo e um dos espetáculos mais belos e imponentes da natureza.

A última ruptura havia acontecido no dia 11 de março de 2004.

Com data marcada? Dia 11 de março de 2008 eu estarei lá, sentada e esperando.

Friday, February 03, 2006

Dia 28: El Bolson - Bariloche

Saímos do camping para a Feira da cidade. Compramos cerejas, framboesas, frutillas (morangos), chocolates... isso aqui é uma loucura. Seguimos para Bariloche.

A paisagem é muito bonita. A cidade de Bariloche também é uma gracinha, mas parece um shopping center a céu aberto. Demos uma volta na cidade, quase enlouquecemos com o tamanho e a variedade das lojas "fábricas" de chocolate e decidimos fazer um fondue.

Aliás, aqui é o paraíso das frutas vermelhas, do chocolate, dos frios (salame de javali, alguém já comeu?) e das conservas.

Passeamos de carro até o Cerro Otto, de onde se pode pegar um teleférico até um restaurante panorâmico giratório, mas o teleférico tinha acabado de fechar por "condiciones climaticas".

Fomos até a estação de ski no Cerro Catedral (parece que é famosa?), mas o teleférico também estava fechado. Seguimos de carro até Llao llao, passeando pelo Lago Nahuel Huapi. Na volta paramos para dormir em um camping na beirinha do lago e fazer nosso delicioso fondue de chocolate com frutas vermelhas, de dar inveja a qualquer restaurante chique.

Quando estávamos em Ushuaia e depois no passeio no Perito Moreno, ouvimos dizer que quem que quem come o Calafate, volta ao Extremo Sul. O Calafate é uma frutinha roxa que dá em um pequeno arbusto espinhoso. Para garantir e para experimentar, é claro, já comemomos sorvete de Calafate e hoje foi o dia de comprar doce para levar para o Brasil.

Dia 28 - 14/01/06
Hrs na estrada: h
Kms percorridos:

Foto: Sem comentários.


Dia 27: Governador Costa - Esquel - El Bolson

Saímos do cenário árido e empoeirado e, de longe, começamos a ver a Cordilheira e seus picos nevados. A estrada continua ruim até Esquel, onde começa a bela região dos Lagos Argentinos e o paraíso das frutas vermelhas e dos chocolates.

A descrição de El Bolson no guia é maravilhosa. Perdoem a minha tradução livre: uma mecca para antigos e novos hippies, que vivem em comunidades, dirigem combes antigas, se alimentam com comida macrobiótica e mantém como fonte de renda a venda de artesanato e cerâmica nas ruas e nas praças da cidade. Perfeito?

Não vimos tudo isso, mas o mínimo de semelhança que a cidade mantém com este esteriótipo já a torna um lugar super agradável e realmente bem mais atrativo para a gente do que o anunciado consumismo futil de Bariloche.

Paramos para dormir em El Bolson e descobrimos, aí sim, a mecca das cervejarias artesanais. Dormimos no camping da Cervejaria El Bolson, depois de tomar muito chopp de Framboesa...Rúbio...Ale...Negra Ahumada...


Dia 27 - 13/01/06
Hrs na estrada: 5h
Kms percorridos: 364

Foto 1: Forte concorrente ao melhor camping da viagem.
Foto 2: Tudo bem, ninguém esperava isso. Eu também não tinha botado a menor fé que o chopp de Framboesa pudesse ser bom assim...



Dia 26: Calleta Olivia - Comodoro Rivadavia - Sarmiento - Governador Costa

De oleo trocado e com o Ermitão limpinho (já nem lembrávamos que ele ficava branquinho assim!), voltamos pra estrada.

Hoje foi o dia de cruzar o interior da Argentina, saíndo do litoral em direção à Cordilheira. O contraste das paisagens é sensacional, mas foi o pior trecho que encontramos até agora. O asfalto cheio de buracos alterna trechos longos de desvios no ripio, temperados com um vento assustador de 60km/h com rajadas de 98km/h (entramos na internet depois, para matar a curiosidade de saber a velocidade do vento, o carro quase parava).

Aliás, hoje foi o dia dos marcos:

- A pior estrada (RP 20)
- O dia de mais vento na estrada,
- 10.000km rodados!!!!
- A noite mais fria até agora: 1,4oC (o Bernardo dormiu sem camisa... o aquecedor tá funcionando!)
- E, para compensar, o melhor jantar: strogonoff com arroz e milho!

Dia 26 - 12/01/06
Hrs na estrada: 7h
Kms percorridos: 460

Dia 25: Comandante Pedra Buena - Calleta Olivia

Ainda estamos naquele clima de arrumar a casa. Acordamos e caímos direto na faxina. Saímos do camping por volta do meio dia para seguir viagem até Calleta Olivia.

O dia foi de estrada. Chegamos na cidade meio cansados e resolvemos dormir já no Posto Petrobrás onde vamos trocar o oleo amanhã cedo.

A programação do fim de tarde foi: internet, telefonar pra casa, macarrão para o jantar e cama!

Dia 25 - 11/01/06
Hrs na estrada: 6h45
Kms percorridos: 464

Thursday, February 02, 2006

Dia 24: Rio Gallegos - Parque Nacional Monte Leon - Comandante Pedra Buena

De roupas limpas e em dia com o supermercado, saímos em direção a Monte Leon, um Parque Nacional bem menos conhecido que descobrimos na Sec. de Turismo em Rio Gallegos.

O parque fica a apenas 20km (ripio) da Ruta 3 e eu arrisco dizer que foi uma das grandes surpresas da viagem. Vão dizer que eu estou exagerando, mas pode ser comparado à Península Valdez, para melhor. A diferença é que só tinha a gente no parque, não pagamos para entrar e as paisagens são indescritíveis. A fauna é abundante: guanacos, hiundus, coelhos, raposa, muitas aves, lobos marinhos e ...pinguins...ah, os pinguins...andamos no meio deles, e eram muitos!

Viemos correndo contra o tempo porque com a maré baixa é possível, caminhando pela praia, chegar a uma gruta maravilhosa, esculpida pela água. Infelizmente, chegamos tarde demais para isso, mas o visual mesmo do alto das falésias é incrível. Caminhamos um pouco até avistar uma colônia de lobos marinhos na ponta de uma pedra e que foi uma das paisagens mais bonitas que eu já vi na vida.

Tudo isso já teria valido o passeio se no final de uma caminhada de mais ou menos 40 minutos a gente não tivesse encontrado... os pinguins.

Não só matamos toda a vontade de ver pinguins, como passamos horas sentados entre eles, observando e fotografando todos os seus movimentos. Vimos filhotinhos, pinguins brigando, andando, correndo, caindo, nadando, de todo o jeito.

O mais legal é o quanto eles são curiosos e sociáveis. Você chega perto e eles te olham com um olho e depois viram a cabeça para olhar com o outro e ficam nessa dança: com um olho e com o outro, com um e com o outro...tão lindos. Depois, se acostumam com você e se aproximam para te observar. Puxa, difícil descrever a sensação e mais difícil ainda ir embora de um lugar desses.

(P.S. Podem dizer que é exagero, mas eu tirei 102 fotos de pinguins...)

Dia 24 - 10/01/06
Hrs na estrada: 4h
Kms percorridos: 291

Foto 1: Loberia - Parque Nacional Monte Leon



Foto 2: Curioso Pinguin de Magalhães - Parque Nacional Monte Leon


Foto 3: Pinguinera - Parque Nacional Monte Leon


Foto 4: Lori com os pinguins - Parque Nacional Monte Leon

Dia 23: Parque Nacional Los Glaciares - Rio Gallegos

O Bernardo deu um pulo de manhã cedo que quando eu me dei conta ele já estava lá em baixo, sentando, observando o Glaciar. Foi dia de todo mundo acordar cedo, o Sol tava maravilhoso, colorindo o gelo com vários tons de azul. As 8h da manhã só tinha a gente na passarela que duas horas depois seria invadida pelos ônibus de turismo. Tomamos o nosso cafe da manha olhando pra ele e assim que o parque começou a encher resolvemos que era a hora de partir.

Foto 1: Café da manhã - Parque Nacional Los Glaciares

É engraçado perceber como vamos nos adaptando e alterando nossas referências naturalment, conforme o tempo e a viagem vão passando. Hoje, voltamos para Rio Gallegos para refazer um pequeno trecho da Ruta 3 até Comodoro Rivadavia e ali entrar para continuar a subida pela Cordilheira, passando pela região de Bariloche e Mendoza.

Durante os últimos dias, nos referimos a Rio Gallegos de uma maneira estranhamente familiar: "Vamos parar em Rio Gallegos e deixar a roupa na lavanderia, comprar carne naquele açougue, ir ao supermercado, lavar o carro..."

Há muito pouco tempo atrás estávamos assustados de chegar a Rio Gallegos e simplesmente não encontrar nada. Ao contrário, como várias das cidades que passamos nos provaram, poderíamos viver em Rio Gallegos e usufruir de todos os serviços e fazer compras no supermercado tal como se estivéssemos em Brasília.

E.. quando achamos que nada mais poderia nos surpreender... neve na estrada? chuva, gelo, neve??? sim!!! é neve!!! está nevando!!! Neve à caminho de Rio Gallegos. Espetacular.

Deixamos nossas roupas na lavanderia, jantamos em um restaurante maravilhoso e dormimos no mesmo camping que passamos o Reveillon. Fomos recebidos com um simpático "Holá, já estão de volta?"

Essa noite foi engraçada. Por volta das 3hs da manhã, o Bernardo, de bermuda e sem nenhuma coberta, levanta para reclamar do aquecedor. Desligou, ligou de novo, chegou à conclusão de que não estava funcionando, pegou o saco de dormir e voltou pra cama. Estava fazendo 3 graus lá fora...


Diário de Bordo

Dia 23 - 09/01/06
Hrs na estrada: 5h45
Kms percorridos: 404

Foto 2: Neve na estrada?

Dia 22: El Calafate - Parque Nacional Los Glaciares

Eu admito, a gente tinha expectativas. Mas o Glaciar é mais espetacular.
Saímos tarde de El Calafate, nossa bateria amanheceu descarregada e isso fez a gente perder um tempinho. Chegamos no Parque e fomos direto fazer o Safari Nautico, um passeio de barco que custa mais ou menos R$ 20.00 e te leva a uns 200m da parede de gelo. Neste nosso primeiro contato, vimos o primeiro desmoronamento: o nascimento de um iceberg...

O Glaciar é um enorme bloco de gelo com 14 km de extensão por mais ou menos 5km de largura e 55m de altura. Além da sua extensão, o que o torna espetacular é o fato de ser um dos poucos Glaciares em movimento (o guardaparque nos disse que ele avança em torno de 2m por dia). É este avanço que dá origem ao espetáculo mais impressionante: enormes pedaços de gelo se desprendem das suas paredes e se espatifam na água em um show visual e sonoro.

O nosso passeio de barco foi pelo Brazo Sul do Lago Argentino, observando uma das laterais do Glaciar. Depois, seguimos de carro um pouco mais e caminhamos até um mirante para observar a outra lateral. A verdade é que qualquer que seja o ângulo, o visual é sensacional.

Outro ponto de observação é uma passarela que abrange toda a frente do Glaciar. Quando achamos que já tínhamos tirado todas as fotos e aproveitado bastante, foi que o dia começou a ficar bom. Saímos para caminhar em uma trilha guiados por um guardaparque voluntário e, em meio a pinheiros e calafates mais algumas visões para nunca mais esquecer.

Quando voltamos da caminhada já por volta das 19h, famintos, fomos cozinhar nosso almoço. A maioria dos turistas já estava indo embora e o parque mais vazio ficou muito melhor... Voltamos para a passarela e vimos vários desprendimentos, passamos horas observando o Glaciar "nervoso". Foi aí que alguma coisa me fez lembrar que a gente estava perdendo o Fantástico...

Foi difícil sair de perto do Glaciar para dormir. Dormimos no Parque.

Diário de Bordo

Dia 22 - 08/01/06
Hrs na estrada: 2h
Kms percorridos: 105


Foto 1: Brazo Sul - Glaciar Perito Moreno
Foto 2: Glaciar Perito Moreno
Foto 3: Glaciar Perito Moreno




Dia 21: Parque Nacional Torres del Paine - La Esperanza - El Calafate

Já acostumados com o visual do Lago Pehoé, acordamos e fomos tomar o café da manhã lá na Lagoa Amarga, aproveitando para tirar mais algumas fotos com o céu claro. É bonito demais isso aqui.

Deixamos o parque com vontade de ficar mais e saímos em direção a El Calafate, base para visitar o Parque Nacional Los Glaciares e a sua grande estrela: o Glaciar Perito Moreno.

Aqui vale uma dica da estrada, depois de voltar para a Argentina, seguimos em direção à Esperanza, para fugir da Ruta 40 e do ripio. Com isso, pegamos todo o caminho asfaltado até Calafate.

A pequena e turística El Calafate já é bem diferente do que estávamos acostumadas. A cidade é toda arrumadinha, com várias lojinhas de artesanato, agências de turismo e turistas, muitos turistas. Muitos brasileiros, inclusive. É engraçado como a gente começa a reconhecer e ser reconhecidos por outros viajantes que estão fazendo o mesmo percurso. Aqui mesmo, parados no posto de gasolina lotado, fomos abordados por um francês. Ontem, no Torres del Paine, foram dois brasileiros em uma landrover que a gente já tinha visto passar na estrada antes de chegar em Ushuaia. Eles disseram estar fotografando para uma revista gringa e tiraram fotos do Ermitão, que, aliás, já recebeu vários elogios!


Diário de Bordo

Dia 21 - 07/01/06
Hrs na estrada: 7h30
Kms percorridos: 350

Obs: 4 paradas longas, 1 para almoço, nas 2 fronteiras e num mirante para curtir o visual.
Hoje completamos 780km de rípio e o Ermitão tá firme!

Dia 20: Parque Nacional Torres del Paine

Acordamos, ligamos o carro, tudo certo, entramos no Parque.

Gente, os lagos são tão azuis quanto a gente vê nas fotos. É de verdade mesmo. 5km depois da Laguna Amarga está uma das entradas do Parque. É de lá também que você pode sair para uma caminhada até o pé das Torres. O parque é um paraíso para o trecking e oferece dois circuitos principais: o circuito W, com duração de 4 dias e o circuito paine, com duração de 7 dias. A caminhada se faz percorrendo alguns trechos diários até os refúgios que estão localizados estrategicamente para compor os circuitos. Você também pode realizar caminhadas isoladas, percorrer o Parque de carro (que foi o que fizemos, hehe) ou combinar algumas destas opções.

Na verdade, nos sentimos meio como ir a Noronha e não mergulhar. Vimos paisagens espetaculares, mas queremos voltar preparados para caminhar. É difícil descrever este lugar, mas vou tentar: tomamos café da manhã olhando para o Lago Nordenkskjold, almoçamos no Lago Grey, jantamos e dormimos nas margens do Lago Pehoé (agora vocês aproveitam a Internet, ou esperam para ver as fotos que a gente tá levando!). Espetacular!!!

P.S.: O ripio dentro do parque é bem ruim. O Ermitão foi bravo! E o Durepox um sucesso!


Diário de Bordo

Dia 20 - 06/01/06
Hrs na estrada:
Kms percorridos: +ou- 80km de ripio


Foto 1: Cuernos del Paine



Fotos 2 e 3: Lago Pehoe


Foto 4: Rio Paine

Dia 19: Vila Tehuelche - Puerto Natales - Laguna Amarga (Torres del Paine)

Puerto Natales é uma pequena cidade que serve como base para visitar o parque. Nós já havíamos sido avisados por um casal paulista em Ushuaia para abastecer o carro com comida e equipamentos (no caso de optarmos por fazer caminhadas e acampar no Parque) em Puerto Natales. Os preços dentro do Parque podem chegar a ser 50% mais altos. Aliás, sentimos uma boa diferença nos preços do Chile para o que estávamos acostumados na Argentina. Aqui as coisas são mais caras. Almoçamos em P. Natales, fizemos algumas compras e, no fim da tarde seguimos para o Parque. Vale registrar o record: o Diesel mais caro da viagem: + ou - R$ 2,16 p/l.

Percorremos mais ou menos 100km de rípio até o visual espetacular da Laguna Amarga. Era uma dessas imagens que a gente tem na cabeça antes de sair pra viajar. Bom, acho que eu nem preciso falar da festa no carro para quem conseguiu avistar primeiro as Torres del Paine. Difícil descrever o visual.

A Lagoa fica uns 5km antes da entrada do Parque e é o lugar de onde se tem a melhor visão das Torres. Saímos da estrada para estacionar na beira da Lagoa e tirar uma daquelas "fotos oficiais" da viagem. Só não contávamos que o Ermitão tinha escolhido aquele lugar maravilhoso para passar a noite. E foi ali mesmo que ele parou e disse: Daqui eu não saio!
Sim, o nosso carro quebrou aí mesmo, no lugar da foto.

O que fazer? Bom, primeiro tentar descobrir o problema. Depois, pedir ajuda para um casal de alemães que estava estacionado lá do outro lado da praia. Nossos amigos que só falavam alemão, vieram super dispostos a ajudar, arranhando um ingrês bem mais ou menos. A cena foi divertida: o Bernardo falava do problema em português, eu traduzia para o inglês e a esposa traduzia para o alemão para que o marido pudesse nos sugerir, em alemão, amarrar um pedaço de elástico no nosso filtro de Diesel partido. A solução sugerida seria tão ineficiente quanto o meu esforço para explicar, aqui, o problema. O importante é que fomos salvos pelo bom e velho Durepox (Poxipol, aqui na Argentina).

Anoiteceu, relaxamos, arrumamos as camas e fomos jantar sob a luz da lua e em companhia das Torres del Paine. Agradecemos o Ermitão pela escolha do local. Nós não teríamos dormido ali, se não fosse por ele.

Nossas chances do carro pegar no dia seguinte eram de 50%. Se tivéssemos diagnosticado o problema corretamente, nossa solução poderia funcionar e tudo daria certo. Se não... bom, aí a gente ia ter que arrumar um mecânico. O que você acha que aconteceu?

Diário de Bordo

Dia 19 - 05/01/06
Hrs na estrada: 4h
Kms percorridos: 250

Foto 1 - A foto oficial
Foto 2 - O carro quebrado



Dia 18: Ushuaia - Bahia Azul - Vila Tehuelche

Saímos de Ushuaia por volta das 9h30. Refizemos todo o trajeto para cruzar de volta o Estreito de Magalhães, agora sob o sol. No carro, só se falava em Torres del Paine. O trecho Ushuaia - Puerto Natales, cidade-base para visitar o Parque Nacional Torres del Paine é longo e resolvemos tentar esticar ao máximo o dia de estrada para chegar o mais perto possível do nosso destino.

Paramos um pouco antes das fronteiras para almoçar e, com nossos frios devidamente escondidos cruzamos para o Chile (só porque desta vez nos preocupamos em esconder algumas fatias de queijo e presunto ninguém nem olhou pro nosso carro, alguma surpresa?).

O dia hoje foi muito diferente do dia da chegada em Ushuaia. Foi depois que já estávamos na estrada que lembramos termos chegado à Terra do Fogo no dia 1o de janeiro, domingo e feriado. Hoje, as estradas já estavam bem movimentadas e as fronteiras cheias. Enfrentamos fila tanto na fronteira Argentina quanto na Chilena. Na balsa, também não tivemos tanta sorte quanto na ida. Desta vez, chegamos ao "cruce" e encontramos uma fila grande de carros e caminhões. Será que agora vou conseguir achar graça? Os carros foram entrando, a fila andando e... lotou a balsa com o carro que estava na nossa frente. E vimos a balsa fechar e ir embora sem a gente... Tudo bem, não foi tão mal assim, a frequência é alta e a nossa espera foi de mais ou menos 45min...

De volta ao continente, passamos tranquilos por um trecho em que já esperávamos sofrer com o temido vento do Oeste, ele tava tranqüilo neste dia. Foi quando paramos para fotografar uma "Lenga", aquela típica árvore que se vê nos cartões postais da Patagônia. Trata-se de uma árvore adptável a condições extremas e que, nesta região, tem sua forma moldada pelos fortes ventos de Oeste (que podem passar de 60km/h).

Cumprindo a nossa idéia de nos aproximar de Puerto Natales, evitamos o desvio até Punta Arenas e paramos para dormir em uma pequena vila chamada Vila Telhue, por volta das 22h20, quando começou a escurecer.

Diário de Bordo

Dia 18 - 04/01/06
Hrs na estrada: 13h
Kms percorridos: 627

Foto: Muito vento na estrada?


Wednesday, January 11, 2006

Dia 17: Ushuaia










Outro passeio imperdível foi a navegação pelo Canal de Beagle. Embarcamos na Barracuda, que era a embarcação mais charmosa que vimos no Porto (na verdade, era a mais barata, mas isso a gente só conta para dar a dica para os amigos. Pegamos a boa indicação no camping).

O passeio passa pela Isla de Los Pájaros e Isla de Los Lobos e termina no Faro des Eclaireurs (foto), que para mim é a imagem cartão postal do fim do mundo.

Quando chega à ilha, o barco desliga os motores e quase encosta o casco na ilha, o que nos permite observar e fotografar os lobos muito de perto, uma experiência muito diferente da que tivemos na Península Valdez. É engraçado observar o movimento dos turistas também. Nos primeiros minutos, trava-se uma verdadeira guerra pelo melhor ângulo para o melhor clique. Depois, as câmeras vão baixando e o silêncio cria espaço para se observe a natureza com os próprios olhos e não através das lentes. Vale a pena.

Junto com os lobos vimos umas aves que de longe eu podia jurar que eram pinguins. Chamam-se Cormoranes e são excelentes mergulhadores.

Difícil ter que ir embora, mas o passeio está só começando. Sentamos para planejar a segunda etapa da viagem e temos o Parque Nacional Torres del Paine, o Gaciar Perito Moreno e a região dos Sete lagos e de Bariloche pela frente.
Amanhã, voltamos para a estrada deixando Ushuaia em direção a Puerto Natales. Que bom que a gente veio.

Foto: Faro des Eclaireurs (foto: Lorena)
Foto: Lobos marinhos - Ushuaia (foto: Lorena)

Dia 16 - Ushuaia (ou "Ussuaia" como dizem aqui)

Chegamos!

É incrível. Estamos em Ushuaia, a cidade mais austral do mundo: 54 graus de latitude sul, 68 de longitude oeste, no extremo sul da América. Ushuaia é a capital da Tierra del Fuego, única província insular da República Argentina (embora se vejam por aqui placas dizendo "Las Malvinas son Argentinas"). Ao sul de Ushuaia, só a Antártida, a menos de 1000km.

No primeiro dia, acordamos e fomos direto para o Parque Nacional Tierra del Fuego. É dentro parque que termina a Ruta 3 (lembra dela? Foi nossa companheira na última semana, desde Buenos Aires). Vimos os diques construidos pelos castores em uma castoreira ativa, passeamos pelo belo Lago Roca, e enquanto carimbávamos nossos passaportes no Correio do Fim do Mundo, vimos passar uma raposinha (zorro, como eles chamam aqui) bem do nosso lado. Saímos do parque já no meio da tarde e seguimos para a cidade, para fazer nosso almoço estacionados no porto.

É pleno verão aqui em Ushuaia, mas a temperatura quando chegamos estava em torno de 5oC. Conversando com um casal de brasileiros que está aqui desde o dia 18 de dezembro (o dia que estávamos saíndo de Brasília...) soubemos que nevou há menos de 2 semanas. A temperatura e o tempo mudam rápido e o ventinho austral é sempre frio. No alto da cordilheira que emoldura a cidade a mancha de neve é eterna. Do refúgio (barzinho e cozinha do camping), temos uma visão panorâmica da cidade e do porto. Para completar o cenário, o que pode ser mais incrível é olhar para o céu quando já deveria estar anoitecendo e ver as nuvens começando a ser pintadas de rosa e a luz por trás das montanhas. 23h30 e ainda está claro. Meia-noite e meia e ainda se vê o clarão por trás das montanhas...

Foto 1: A foto tradicional, na Bahia Lapataia - Parque Nacional Tierra del Fuego
Foto 2: No camping, já era quase meia noite.



Chegamos!!!!!!!!!!!!!!!!!E que chegada!

Dia 15: Rio Gallegos - Punta Delgada - San Sebastian - Rio Grande - Ushuaia

Por onde começar?

O "cruce" do Estreito de Magalhães foi espetacular. A nossa chegada à balsa que liga Punta Delgada à Primera Angostura (se alguém estiver planejando a viagem quiser detalhes, me liga, pois só conseguimos obter as informações precisas sobre este trajeto já em Rio Gallegos) foi cronometrada. Nós nem freamos o carro, já chegamos com a fila do embarque acelerando e juntos com ela entramos na balsa. (Aqui vale um parênteses: depois que já estávamos em Ushuaia, conversamos com outros brasileiros que disseram ter esperado horas para cruzar o estreito...tivemos sorte!)

A travessia dura aproximadamente 20 min e custa caro. O desembarque já tem clima de comemoração: Estamos na Terra do Fogo!!! Entre Rio Gallegos e Ushuaia, saímos da Argentina, percorremos 200 km no Chile e voltamos para a Argentina. Isto significa 4 passagens por Aduanas e adeus ao nosso queijo, presunto, ovos e leite. Ah, também são mais ou menos 150 kilômetros de Ripio. Mais do que a gente gostaria, porque o trecho no Chile está muito ruim e menos do que a gente esperava, porque nem a Sec. Turismo em Rio Gallegos tinha a informação atualizada de que a chegada à Ushuaia tinha ganho 35km de asfalto novinho.

Mais uma pegadinha pra gente e pelo visto pra muita gente é a tal da grade de proteção para o para-brisas. No nosso caso aconteceu o seguinte: entramos no ripio, paramos o carro, colocamos a grade, tiramos uma foto, saimos com o carro, paramos de novo e tiramos a grade. Tudo isso durou uns 20 min e menos de 1 km. A grade (pelo menos a nossa) atrapalha muito a visão. Não cruzamos nenhum carro com grade na estrada e depois, já em Ushuaia conversamos com outros brasileiros que tiveram a mesma impressão que a gente: levaram e nao usaram.

Os últimos 50 km de estrada até a chegada em Ushuaia podem entrar na lista (pelo menos na minha lista) das estradas mais bonitas. Subimos e descemos uma serra (que na verdade é a continuação da cordilheira dos andes. Aqui na Terra do Fogo é o único lugar onde a cordilheira se extende de leste a oeste, ao invés de norte a sul) margeando um lago rodeado de picos nevados. O visual é espetacular. E o pouquinho de neve que vimos ao longe já virou festa dentro do carro.

Chegamos em Ushuaia por volta das 21h. A cidade é uma gracinha. Dormimos no camping La Pista del Andino . Recomendamos. O Ermitão dormiu entre vários "irmãos" gringos. Nunca vi tanto motorhome junto. É carro alemão, português, americano, brasileiro... Clima bom em Ushuaia!!!

Fotos 1 e 2: Desembarcando na Terra do Fogo.

Diário de Bordo:
Dia 15 - 01/01/06
Hrs na estrada: 12h
Kms percorridos: 585


Um reveillon bem diferente.

Dia 14
Caleta Olivia - Fritz Roy - Rio Gallegos

Dia de reveillon e de estrada, se quisermos chegar em Ushuaia.O vento quase parava o carro e o consumo do Ermitão baixou para 4,5km/l (a média normal dele é 6,5). Aqui, lembramos de uma dica importante que havíamos encontrado nos relatos de outros viajantes brasileiros: abastecer sempre que vir um posto depois de C. Rivadavia. Não tem muitos postos na estrada (apenas nas cidades) e o consumo aumenta mesmo.


A mais ou menos 180km de Rio Gallegos, o Ermitão resolveu nos dar um susto e parou de repente. Será que vamos passar o Reveillon no meio da estrada??? Tudo bem que a gente tá curtindo as hs de asfalto, mas tb não é pra tanto... Felizmente o nosso lindo maravilhoso motorista, mecânico e faz-tudo de plantão descobriu e resolveu o problema rapidinho e seguimos viagem.


Chegamos em Rio Gallegos por volta das 19h e corremos para o centro da cidade para procurar um mercado e comprar os ingredientes para a ceia de reveillon. A cidade já estava bem deserta e a maior parte das lojas fechadas. Perguntamos por alguma festa de reveillon, fogos de artifício, festejos na rua e todos olhavam pra gente com uma cara meio estranha. Parece que reveillon por aqui se passa em casa mesmo e nós resolvemos então voltar e arrumar a nossa.

Seguimos para um camping super charmoso na saída da cidade, preparamos nossa ceia (frango assado com arroz, maionese e batata palha), curtimos a última cervejinha do ano (uma Stella Artois) estouramos nosso Champagne Argentino e assistimos de longe o conjunto de queimas de fogos familiares, sobre a cidade ao longe e sob um céu ainda rosado, lembrando o sol que havia se posto perto das 23h.

Diário de Bordo :

Dia 14 - 31/12/05
Hrs na estrada: 10h
Kms percorridos: 741

Puerto Madryn - Trelew - Comodoro Rivadavia - Caleta Olivia




Com o caminhãozinho recuperado da invasão de poeira (acordamos hoje e caimos direto na 2a etapa da faxina) voltamos pra estrada. Viemos comentando hoje como a estrada é boa, tanto no Uruguay como na Argentina. Pagamos nosso último pedágio antes de Bahia Blanca e a estrada continua sem nenhum buraco, bem sinalizada, com serviço de SOS... O que acontece no Brasil?

Já estamos completamente adaptados a nossa "vida" na estrada. Já criamos nossas rotinas, arrumamos a casa, fazemos comida, lavamos louça e nos preparamos para partir. Como passamos muito tempo com o carro andando, enquanto o Bernardo dirije eu escrevo os textos para o blog, baixo as fotos para o computador, a Lori assiste filme, ouvimos música e, o mais importante: curtimos a paisagem.

Hoje mesmo, embalados pelo clima nostalgico do último dia do ano, lembramos do cerrado, da mata atlântica, das araucárias, do pantanal no Rio Grande do Sul, do infinito dos pampas e agora a inexplicável paisagem patagônica (entendam o meu inexplicável aqui como "não sei explicar" mesmo).

A uns 100km de C. Rivadavia a estrada fica muito bonita. Em C. Rivadavia ela fica espetacular. Foi assim que entramos na Província de Santa Cruz, a última antes da Terra do Fogo.
Cruzamos com um casal de brasileiros, de Curitiba. Há uns dias, cruzamos mais dois carros brasileiros, do Mato Grosso. Pareciam apressados.

Paramos para dormir em Caleta Olivia, 8 pesos pelo camping.

Amanhã, continuaremos na estrada até Rio Gallegos.
Chegaremos em Ushuaia no dia 01/01/06.

Feliz ano novo!!!!

Foto: Chegada a Comodoro Rivadavia.

Diário de Bordo
Dia 13 - 30/12/05
Hrs na estrada: 8h
Kms percorridos: 545

A Península Valdez










Deixo os bichinhos falarem por si.

Foto 1: Pinguins de Magalhães na Caleta Valdez.
Foto 2: Lobos marinhos na Caleta Valdez.
Foto 3: Tatu. Parque Nacional Península Valdez.
Foto 4: Guanacos. Parque Nacional Península Valdez.

Tem lugares que você já sabe que são bonitos. Todo mundo diz que sao bonitos. Você lê a respeito, vê foto, já sabe exatamente qual imagem vai aparecer na sua frente quando chegar lá. E você chega, vê a foto na vida real e sente uma emoção incrível, fica com cara de bobo e diz: É bonito mesmo.

Hoje também foi a nossa primeira experiência no Ripio. Ripio é uma espécie de cascalho de que são feitas as estradas de terra da Argentina. É por isso que a maior parte dos carros que vão ao extremo sul usam uma tela de proteção nos para-brisas. É dito que as estradas de ripio na Península Valdez sao melhores do que as que vamos enfrentar na chegada a Ushuaia.
O Ermitão se comportou super bem e foi até engraçado, porque o primeiro carro com que cruzamos, um onibus, soltou uma pedrinha que acertou em cheio o nosso para-brisas. Fomos batizados. Mas foi só uma lasquinha, nada grave.

Passamos o dia passeando pela Península, recomendamos a Isla de los Passaros, um cenário espetacular com uma variedade impressionante de espécies. Uma pena eu nao entender nada de passaros, mas vale a pena visitar.

Decidimos voltar e dormir em Puerto Madryn (100 km de Puerto Piramide), para manter a rotina de nao dormir duas noites na mesma cidade e ganhar tempo para amanhã. Curtimos ainda o fim-de-tarde na cidade, é uma delícia essa estória de por-do-sol às 21h. Passeamos, jantamos e chegamos no camping mais caro da viagem (36 pesos argentinos) por volta das 22h.

Aí, mais uma surpresa: nosso caminhaozinho foi inundado pela poeira (lembra do Ripio?). Para dar uma idéia da cena que encontramos quando, ingênuos e cansados, achamos que era entrar em casa e dormir, nossas almofadas laranjas estavam...brancas. Nosso piso marrom estava... branco. Nossas toalhas de banho... brancas. Nossas mochilas... brancas. Que desespero!!! Bom, solução só existia uma: faxina.

Diário de Bordo
Dia 12 - 29/12/05
Hrs na estrada:
Kms percorridos: 319

Dia 11: Las Grutas - Puerto Madryn - Puerto Piramides



2 barreiras sanitárias na saída de Las Grutas e o nosso almoço (3 "pechugas" de frango compradas em Las Grutas) quase fica no caminho.

Fizemos almoço estacionados na avenida "Beira-Mar", fomos à Internet, compramos alfajores (eh Jana, lembrei de você!), fizemos compras no supermercado (igualzinho como se estivéssemos em Brasília. Aliás, os preços também são muito parecidos), compramos um pinguim patagônico para nossa geladeira, abastecemos o carro em um Posto Petrobrás e seguimos para Porto Pirâmide.

Dormimos no camping municipal de Porto Pirâmide, já impressionados com o pouco que vimos do Parque Nacional no caminho até Piramide (vimos nossos primeiros guanacos!!!) e ansiosos pelo tão esperado dia seguinte.

Um detalhe, na noite anterior a nossa chegada tinha caído uma chuva que parece ter inundado a cidade. O cara do serviço de informações turísticas me disse até que o parque tinha ficado fechado por causa da chuva. Essa informação nao foi confirmada na entrada do parque. Dormimos apreensivos, mas os Deuses sorriram, abriram o tempo e trouxeram o sol.

Observação. A entrada do Parque Nacional da Península Valdez - Patrimônio Natural da Humanidade - custa 35 pesos. Para integrantes do Mercosul, apenas 10 pesos.

Diário de Bordo:
Dia 11 - 28/12/05
Hrs na estrada: 4h40
Kms percorridos: 382

Fotos:
1- Posto Petrobrás em Puerto Madryn
2- Por-do-sol no Parque Nacional Península Valdez

Wednesday, December 28, 2005

Muito vento e pelo menos uns morrinhos para quebrar a monotonia na estrada.

É de Puerto Madryn que estou fazendo essas últimas atualizaçoes. Tá chuviscando sem parar e o frio deu o ar da sua graça pela primeira vez. Daqui, devemos seguir hoje ainda para Puerto Pirâmide, uma pequena cidade na entrada do Parque Nacional e que serve como base para se visitar a Peninsula Valdez.

A expectativa é grande. Amanha, se os Deuses ajudarem, devemos avistar colonias de pinguins de magalhaes e elefantes marinhos. Mandarei noticias e fotos com certeza.

Depois de amanha o plano é seguir para Pta San Julian, Rio Gallegos e, enfim Ushuaia! Beijos e saudades de todos!!!

Bahia Blanca - Carmem de Patagones - Las Grutas

Dia 10.

Conhecemos um casal de americanos do Arizona em um caminhãozinho parecido com o nosso. Tudo bem, o deles é 4x4 e tem algumas cositas mas, mas também foi feito à mão igualzinho o nosso.

Conversamos, trocamos umas dicas. Eles entraram no Brasil pela Venezuela, foram para Manaus, Belém e desceram pela costa. Legal, né? Super simpáticos os nossos novos amigos. Ainda não sabíamos ao certo para onde e até onde irámos seguir, queríamos precorrer um trecho mais curto e eles nos indicaram parar em Las Grutas, um balneário movimentado a mais ou menos 400km.

Foi dia de acordar um pouco mais tarde e fazer a faxina. Saímos de Bahia Blanca por volta das 12h.

Passamos por uma barreira sanitária um pouco depois da saída da cidade, tivemos que pagar 6 pesos para ter o nosso carro desinfetado (o que não aconteceu) e perdemos 2 maçãs, que foram direto para o triturados. Rodamos mais alguns kilômetros e... "Aqui comienza la Patagonia" Festa no carro!

Paramos em Carmem de Patagones, a primeira cidade colonial do sul da Argentina e uma espécie de portão de entrada para a Patagônia. Chegamos à cidade por volta das 15h e parecia uma cidade fantasma. Ainda nao conseguimos entender direito se era uma espécie de siesta, mas nao conseguimos encontrar nenhum restaurante. Paramos em um posto de gasolina mais uma rodada de sanduiches.

Um aspecto da história de Carmem nos chamou bastante a atenção. A praça central da cidade chama-se Plaza 7 de Março. Seu nome original, Plaza del Carmem, foi substituído em homenagem à vitória sobre o Brasil em 1827. A cidade parece ter apresentado resistência e repelido uma invasão brasileira em 1827. Na Iglesia Paroquial Nossa Senhora del Carmem (de frente para a Praça) parece estarem expostas as 7 bandeiras brasileiras capturadas na batalha. Não conseguimos ver, porque a igreja estava fechada, mas ficamos interessados em procurar mais informações sobre o fato histórico.

Em Las Grutas, fomos recebidos por 3 golfinhos na beira da praia. Aliás, praia lotada às 7 da noite, ou melhor, do dia... sol quente! A cidade tem esse nome por causa das cavernas formadas pela erosão sobre a encosta. A cidade fica sobre falésias e as "bajadas" (escadas que levam à praia) são as referências de localização. Jantamos em um bom restaurante (os preços até agora estão bem acessíveis) e dormimos na Av. Costeira, de frente pro mar.

Diário de bordo:
Dia 10 - 27/12/05
Hrs na estrada: 8h15 (com parada de 1h)
Kms percorridos: 471

Dia 09 continuação. Eu falei que o dia foi longo.


Em algum momento nas minhas anotações eu escrevi: "nosso último dia de Pampas"???? O que eu estava querendo dizer com isso?

Quem teve paciência de acompanhar o Blog desde o início, deve ter visto que 1 semana antes de comerçarmos a viagem, o Bernardo foi e voltou de Itú levando o Ermitão para o conserto. Contando com esses 2.000 km, mais uns 3.000 já durante a viagem, podemos dizer que percorremos cerca de 5.000 km no Brasil sem ser parados pela Polícia Rodoviária nem uma vez.Nos nossos primeiros 100 km de Argentina fomos parados 2 vezes.

Durante os primeiros kilômetros na Ruta 3, avistamos a primeira placa indicando 2.860km (a foto foi na segunda placa). Emoção. Hoje nós também batemos a marca dos 4.000km percorridos!

Um dado novo para o Diário de Bordo:
Temperatura máxima do dia: 35oC
Temperatura mínima: 13oC
Umidade máxima: 65%
Umidade mínima: 27% (na altura de Tres Arrojos, o termômetro marcava 29% de umidade. Nos sentimos em casa, com os lábios rachando e a pele ressecada :-))

Hoje ganhamos mais uma hora de dia. Na Argentina não tem horário de verão, então atrasamos o nosso relógio em 1 hora e o Sol continuou a se por às 21h.

Chegamos em Bahia Blanca por volta das 21h (20h local). Aposto que você já nem lembra que ainda era hoje quando saímos de Colonia às 4h30 da manhã. Estávamos exaustos. A cidade portuária nos pareceu grande e tumultuada. Salvos pelo Lonely Planet, encontramos um camping tranquilo e bem equipado. Ainda antes de dormir, guerreiros, saímos para comprar alguma coisa para o jantar. Nosso longo dia tinha sido abastecido apenas com sanduiche. Fomos recebidos no unico mercadinho que achamos por um senhor atrás das grades. Sim, tinha grades, não podíamos entrar, escolhíamos os produtos, pedíamos e o senhor nos entregava pela grade. Ficamos, digamos, desconfortáveis. Voltamos pro camping, fizemos um jantar diferente: macarrão com salsicha e desmaiamos na cama. O por do Sol tava bonito.

O dia mais longo da viagem.

Dia 09
Colonia - Buenos Aires - Bahia Blanca

Acordamos às 4h20 da manhã (e ainda chamam isso de férias...). Chegamos ao Porto bêbados de sono às 4h30 para fazer o check-in no Ferry e passar pelas imigrações uruguaia e argentina. O trâmite foi bem rápido, embarcamos o carro e parece que às 5h30 em ponto o barco partiu. Eu já estava dormindo de novo, dentro do barco. Quando acordei, já estávamos chegando, então não posso contar detalhes sobre a travessia. O sono tava bom...

Desembarcamos em Buenos Aires e aí sim, a coisa começa a ficar engraçada. Nos perdemos de cara, fizemos um retorno onde não podia e paramos de frente para a Policia. Foi sorte. Os policiais foram super gente boa e nos solvaram de percorrer 60km de cidade que, pela previsão deles, nos tomariam cerca de 3h.
Eu explico. Aliás, aí vai a dica mais valiosa para quem pretende descer de carro a Ruta 3. A Ruta Nacional 3 nasce em Buenos Aires e morre no Ushuaia. É nela que vamos passar a nossa próxima semana de viagem. Só que nos seus 60km iniciais, a rodovia passa por uma zona urbana de 60km. Nós não sabíamos disso e estávamos prontos para cair na armadilha. Como alternativa, o guarda nos indicou seguir pela avenida perimetral (Av. General Paz) até a saída em direção ao aeroporto de Ezeiza. Um pouco depois do aerporto, a Autopista encontra a Ruta 3 já em Cañuelas, a primeira cidade no nosso caminho para o Sul.

Depois de termos sidos salvos pelo guarda, fomos salvos por uma moedinha sem nada escrito que eu descobri (já implorando para o moço do pedágio me deixar pagar em dólar, real ou peso uruguaio) valer a significativa quantia de 1 peso argentino. Entramos na Autopista sem pesos argentinos e demos de cara com um pedágio. Aliás, fizemos tudo errado. Eram mais ou menos 6 cabines de pedágio, sendo a 1a a fila onde nós estávamos e a 6a a fila para "veículos pesados". Foi aí que descobrimos que a altura máxima na fila onde estávamos era 2,5m. O Ermitão mede 3m. Daí vc imagina a confusão.

Fomos salvos pela 3ª vez em menos de 1 hora pelo caixa eletrônico do aeroporto. Abastecidos com pesos argentinos, seguimos viagem tranquilos.

Diário de bordo:
Dia 09 - 26/12/05
Hrs na estrada: 13h + 3h no ferry
Kms percorridos: 731

Nosso último dia de Uruguay.

Dia 08
Punta Ballenas - Montevideo - Colonia

Chegamos em Montevideo no dia de Natal, domingo e feriado. Cruzamos o centro da cidade com exclusividade (só tinha o nosso carro circulando pelas ruas do centro) e um céu azul inacreditável. Passamos pela Plaza Independencia (foto), dirigimos pelas ruas estreitas da Ciudad Vieja, passamos pelo Porto e, com o Mercado del Puerto "cerrado" por causa do feriado, seguimos para Colonia (del Sacramento).

Foi neste trecho de estrada reta e em meio à monotonia dos Pampas que nasceu a frase da semana: Impressões do Bernardo sobre o Uruguay: "O Uruguay é um pasto ventoso, pontilhado de ferros velhos (alguns ainda circulando) e iluminado pela literatura de Eduardo Galleano e a arte de Carlos Paez Vilaró."

(Observação importante: O Uruguay é sensacional. Fomos super bem recebidos por onde passamos, todas as pessoas com quem falamos foram simpáticas, as cidades bonitas, limpas, as estradas ótimas, tudo de bom. Gostamos muito e recomendamos!)

Chegamos em Colonia por volta das 13h, já com vontade de cruzar logo o Rio da Prata e aproveitar o feriado para curtir de novo a mordomia de ter excluvidade na hora de circular pelo centro, agora da capital argentina. Não deu certo.

As informações no porto de Colonia não foram muito animadoras. Só poderíamos embarcar o Ermitão no ferry lento (3h de travessia) às 20h30 ou às 5h30 do dia seguinte. Pensamos, pensamos, perguntamos, pensamos, perguntamos e resolvemos curtir a cidade (que é linda!!), durmir e embarcar no ferry das 5h30.

Nossa tarde em Colônia foi uma delícia. Almoçamos uma Parrilla, tomando Patricia (cerveja uruguaia, olha que máximo!) de frente pro Rio da Prata. Belo almoço de Natal! Depois passeamos a pé pelo centro histórico (tombado patrimônio histórico ou cultural, agora não tenho certeza) e tomamos banho no Rio da Prata com sol quente às 19h30.

Foto: Calle de los Suspiros - Colonia del Sacramento, Uruguay




Diário de bordo:
Dia 07 - 24/12/05
Hrs na estrada: 3h
Kms percorridos: 156

Dia 08 - 25/12/05
Hrs na estrada: 5h
Kms percorridos: 355

O melhor Natal não tem cara de Natal.

A foto da nossa ceia de Natal! (Camping Internacional - Punta Ballenas, Uruguay):

Foto: Casa Pueblo - Punta Ballenas, Uruguay.

Sunday, December 25, 2005

Véspera de Natal, folga na Riviera Uruguaia


Ah, isso sim são férias de verdade...Saludos e Feliz Navidad desde Punta del Este!

Antes de viajar, eu e o Bernardo lemos vários livros com relatos de expedições pela América de carro, pelo mundo de motorhome, etc. Ninguém pensou que nós éramos os primeiros ou os únicos malucos a se aventurar, né? Então. Em meio a tantos relatos e constatações, uma das mais óbvias e interessantes foi: se somos capazes de passar de 10 a 12 horas (no caso de nós, publicitários um pouco mais) trancados em um escritório, também somos capazes de passar tanto tempo ou mais por dia dentro de um carro. Verdade. Eu acrescento: muito mais prazeroso mas não menos cansativo.
Por isso, nós também nos permitimos um merecido descanso semanal desta maratona: um dia de descanso em Punta del Este.

Acordamos um pouco mais tarde, percorremos apenas uns 150 km e chegamos a Maldonado. Passeamos um pouco e fomos para Punta. Almoçamos tranquilos, compramos umas coisinhas e saímos da cidade em direção ao camping em Punta Ballenas, 10kms adiante (santo Lonely Planet!). O camping era sensacional, 15 hectares de área verde para curtir uma noite repleta de estrelas.

Em Punta Ballenas, a grande surpresa do dia: Uma construção "mediterrânea" (na verdade o cenário te faz pensar estar na Grécia) com aparente influência de Gaudí e sem ângulos retos - Casa Pueblo, abriga o museu/ateliê do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró. A obra do artista é simplesmente sensacional. Contemporâneo e amigo de Dali, Picaso, Vinucius de Moraes e Jorge Amado... vou ficar devendo a descricao com todos os detalhes que ela merece para sair correndo por que o meu tempo acabou... depois vem as fotos... amanha tem mais... FELIZ NATAL PRA TODO MUNDO!!!

Foto: Praia Brava, Punta del Este, Uruguay.

O dia de cruzar a fronteira. Onde foi parar o Chuí?




Acordamos com a sensação de que o dia era especial. Esperado ansiosamente, pelo menos. Saímos de Tapes por volta das 8h30, em direção à Porto Alegre. Antes de chegar à capital gaucha, já começamos a ler as placas em espanhol na estrada. Eu achei o máximo. Fui a única. Quis tirar foto e tudo.

A primeira parada do dia foi em Pelotas. 12h. Entramos na cidade à procura de um banco Itau e demos de cara com a "Feira do Paraguay" Pelotense. Abastecemos o carro com CDs e DVDs (a banca era sensacional. bons preços e uma variedade impressionante) e seguimos. Acessamos a Internet para imprimir o recibo da Carta Verde (extensão do seguro do carro exigida para entrar no Uruguay e Argentina), almoçamos e honramos a tradição da cidade nos deliciando com um Pastel de Santa Clara na Dulceria Pelotense. Que maravilha (lembrei da minha mãe e da minha vovó, gaucha)! Ficamos impressionados com a simpatia dos Pelotenses. Uma gracinha de cidade. Ano que vem a gente volta!

Entramos no Uruguay às 18h. A passagem pela fronteira foi rápida e simples até demais. Não levamos 15min ao todo. No lado brasileiro, apenas o registro dos eletrônicos no posto da Receita. Do lado Uruguaio, apresentação dos documentos de identidade para a imigração, carimbo no passaporte e seguir viagem.
Quando nos demos conta, já estávamos na Ruta 9 com destino ao Parque Nacional Santa Tereza, a primeira atração em território estrangeiro.

E o Chuí?

"E o Chuí" pergunto eu. Sinceramente eu estou até agora acreditando que o Chuí não existe. Mas, tá no guia!!! E dizem que são dois, um brasileiro e um uruguaio. Onde eles se esconderam que nós não vimos???
Esta foi a maior decepção da viagem até agora: nós passamos direto pelo Chuí e não vimos.

Diário de bordo:
Dia 06 - 23/12/05
Hrs na estrada: 12h
Kms percorridos: 649

Cruzando o Rio Grande do Sul.




Um conselho importante para quem estiver planejando chegar ao Ushuaia de carro: não pare para dormir em Garopaba. Amanheceu um Sol inacreditável, nenhuma nuvem num céu tão azul quanto o de Brasília em dia de seca. Esse foi o momento mais difícil da viagem até agora. Fomos embora às 9h sem molhar nem a pontinha do pé no mar. Dá pra acreditar, nisso? A promessa é voltar no ano que vem... vamos ver.

Cruzamos o RS sob um sol de 33oC (acredite, é muito num carro sem ar condicionado) ao som do Feijão de Bandido.

Fizemos uma luxuosa parada em Torres-RS, praia maravilhosa na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, para um almoço digno de férias: peixe com molho de camarão na beira-mar. Voltamos pra estrada e paramos para dormir em Tapes-RS, em um camping na beira da Lagoa dos Patos (foto).

Obs: De ontem para hoje ganhamos mais ou menos 1h de luz. Às 21h o dia ainda estava claro!

Diário de bordo:
Dia 05 - 22/12/05
Hrs na estrada: 10h
Kms percorridos: 529

Saturday, December 24, 2005

Do cerrado a mata atlantica.

Sobrevivemos ao nosso primeiro pernoite no Ermitao!!!

Partimos do Cabeca da Anta as 8h e seguimos para a nossa primeira atividade turistica ate entao: um passeio em Joinville. O que seria uma parada rapida para o almoco foi um verdadeiro desatre. O GPS quase ficou doido com tanta volta que a gente deu sem conseguir achar um restaurante. Desculpa Joinville, mas nao podemos perder nem mais um minuto. Saimos com fome e paramos um pouco mais adiante em um oasis dos frios e dos vinhos na beira da estrada.

Paramos para um super x-salada de dar inveja a qualquer um e, com o Ermitao devidamente abastecido de queijo, salaminho e suco de uva, seguimos viagem para avistar o mar pela primeira vez.

Agora voces tem todo o direito de achar que comecar a tirar onda de ferias, afinal, nosso segundo pernoite foi em Garopaba-SC. A verdade e que depois de 11h30 na estrada, e hora de arrumar a casa, tomar banho e fazer a comida. O cardapio: macarrao com molho de tomate e salaminho, lembra dele? O pior... saimos de Garopaba no dia seguinte sem molhar nem o pezinho no mar... isso e pecado.

Diario de bordo:

Dia 04 - 21/12/05
Percurso: saímos de Sao Paulo, passamos por Curitiba, Florianopolis e paramos para pernoitar em Garopaba.
Hrs na estrada: aprx. 11h30
Kms percorridos: 678

Um dia cheio de surpresas



Diretamente de Punta del Este (Uruguay) um breve report retroativo do terceiro dia de viagem.
O 2o dia (19/12) passamos em Itu, com o Ermitao ainda recebendo os ultimos cuidados da RodyTrailer. Durmimos mais uma noite no hotel do KK, o que nao estava previsto e, no dia 20/12 saimos de lá por volta das 11h. Era hora de acabar com o último detalhe que nos impedia de cair na estrada, lembra do "probleminha na direcao", lá em uberlandia? pois foi ele mesmo que nos levou até a consessionaria volks de Itu. A primeira noticia nao foi muito agradavel. Os sintomas que descrevemos pareciam nos levar a duas causas possiveis que, para serem investigadas, as pecas deveriam ser levadas a Sorocaba e só voltariam no dia seguinte. Resolvemos entao ir direto a procura da fonte e seguimos para Sorocaba.

Chegando la, mais um susto. Provavelmente o problema estaria na caixa de direcao, e o mecanico chegou a nos preparar para um prejuizo de 1000 reais. Da pra imaginar o panico?

Naquela altura, nao tinhamos muito o que fazer. A solucao era fechar o olho, abrir o carro e tirar a peca para teste. Enquanto o Ermitao recebia o tratamento adequado foi a minha vez de botar a mao na massa e na faxina (esta é a foto do dia!).

A reza foi forte e o problema menor do que se imaginava. Depois do susto, saimos da oficina felizes, ainda com dia claro e um prejuizo de "apenas" 400 reais.

Enfim, na estrada! Rodamos uns 150 km ate a Parada Cabeca da Anta, onde paramos exaustos para a nossa primeira noite no Ermitao!

Diario de bordo:

Dia 03 - 20/03/05
Hrs na estrada: aprx. 2h30
Kms percorridos: 190